Itaú: Por Que o Itaú Comprou a XP Investimentos?

Itaú: Por Que o Itaú Comprou a XP Investimentos?

O Itaú, maior banco do Brasil anunciou a compra de quase 50% da XP, uma das maiores corretoras do país que vinha trazendo muitas insatisfações em sua campanha de desbancarização de investimentos. O negócio envolveu a inserção de quase R$ 600 milhões na corretora e um acerto entre o banco, o fundo General Atlantic e a gestora Dynamo, sendo todos acionistas da XP Investimentos.

O acordo une a participação do Itaú na corretora para que ela cresça nos próximos anos até que chegue a 75%. O banco ainda se comprometeu a comprar uma fatia adicional de 12,5% em 2020 e outra de 12,5% em 2022. Desse modo, a General Atlantic e Dynamo poderão chegar a deixar o negócio. Os sócios da XP vão manter a maior parte das ações com direito a voto, pois possui 50,1 % de todas as ações e controle sobre a gestão. O fundador e principal acionista, Guilherme Benchimol, seguirá à frente do negócio.

Segundo o comunicado publicado pela corretora, p acerto vai permitir que a XP mantenha toda sua independência nas operações, havendo também uma livre competição entre a Itaú e a XP.

Convencer os clientes será o grande desafio que a corretora terá. A empresa nos últimos anos, iniciou uma campanha muito intensa envolvendo marketing a fim de persuadir investidores a deixarem os grandes bancos. A preservação do ativo era o argumento utilizado por Benchimol para descartar a entrada de um grande banco de varejo no capital de sua empresa.

A Itaú acabou comprando 49,9% de todo capital, sendo assim, a corretora vai abandonar o plano de lançar ações em Bolsa. A oferta vem sendo administrada durante meses, a XP ainda entrou com um pedido de oferta na CVM, Comissão de Valores Mobiliários.

O acordo entre a Itapu e a XP Investimentos vai depender unicamente da aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo da Defesa Econômica, o CADE.

A XP foi criada em 2001, tendo a cidade de Porto Alegre como sede, seu marco era de R$ 69 bilhões em ativos sob sua administração e ganhou mais espaço no mercado ao se tornar uma alternativa aos bancos, sendo assim, uma plataforma independente que oferece todos os tipos de investimento, os bancos de varejo que favorecem os próprios produtos.

A empresa adquiriu a estratégia de aliar a educação financeira com a oferta em investimentos. Os fundadores da XP, Benchimol e Marcelo Maisonnave, criaram seu próprio mercado, dado aulas para aqueles que não possuíam um conhecimento do mercado.

Eles conseguiram adotar um modelo de agentes autônomos, profissionais que visam a conquista de investidores para a XP. Aperfeiçoando-se com a ideia de oferecer uma maior variedade de aplicações, que ficou conhecido como uma espécie de supermercado de investimentos.

A XP conseguiu comprar rivais como a Clear, em 2014 e a Rico em 016, e contou com ajuda da popularização na internet e dos telefones celulares que puderam fazer com que as transações se tornassem mais fáceis e baratas.

A maior corretora independente do país tomou a decisão de vender parte de seu capital para o Itaú devido a dois motivos: o primeiro é sua oferta inicial de ações, e o segundo, porque estava crescendo de maneira muito acelerada nos últimos anos, ancorada naquele discurso de desbancarização.

A XP fez questão de salientar que o Itaú não terá voz no comando da corretora, uma vez que os papeis com direito a voto permanecem pelo menos até 2023. Benchimol disse que nada, nem mesmo ele, nem a empresa mudaram. A desbancarização continua inabalada, mesmo após a venda do capital.

Benchimol afirma em entrevista que o seu foco inicial era buscar dinheiro e ter a máxima governança possível, porque eles trabalhavam com investimento, e deve expor sua credibilidade perante as pessoas. Quando se pensa em investimento no Brasil, pensamos em banco, não em corretoras.

Muita credibilidade foi dada a XP, não é à toa que eles possuem cerca de R$ 85 bilhões de reais sob sua custódia. Um terço do que o cliente tem de investimento na XP. Na visão dos gestores, a desbancarização é a crença de que o cliente poderá investir melhor fora dos bancos. Os bancos se tratam de plataformas fechadas que não são focadas para o investimento, e a XP é aberta, vendendo papeis de diferentes instituições e voltada para o investimento, tornando assim a empresa mais competente nesse segmento.

O discurso de desbancarização de investimentos não mudou. Caso você invista fora dos bancos, em lugares como a XP, terá muito mais opções e poderá comprar produtos de todo mercado. Nos bancos, geralmente são vendidos apenas os produtos com a própria marca. O Itaú notou a frente de seus concorrentes que essa é a tendência, não é complicado imaginar que um lugar onde você pode investir com liberdade é muito melhor.